
Um corintiano, maloqueiro e sofredor que criou sambas populares
Adoniran Barbosa dispensa apresentações. Compositor, ator, humorista, criador de tipos, radialista, é um dos mais populares artistas do samba, em todos os tempos. Suas músicas são verdadeiros hinos do samba, e desde sempre fazem parte do repertório popular. Onde tocam, são sucesso. Em qualquer lugar em que haja um grupo de samba, sempre alguém vai pedir para ouvir - e cantar - "Tiro ao Álvaro", "Saudosa Maloca", "Trem das Onze", "As mariposas", "Iracema", "Prova de Carinho", "Joga a chave", e tantas outras.
Músicas que, apesar de haverem sido compostas entre os anos 1930 e 1970, são atualíssimos retrados dos marginalizados, dos favelados, da São Paulo romântica, que ainda se preserva escondida em botequins no Brás ou no Bixiga.
Adoniran era um homem bem humorado, bem vestido, alegre, bonachão, que encarnava o perfeito malandro, e sabia representar em sua própria postura o melhor dos tipos que retratava em suas crônicas musicais.
O bom humor começava pelo próprio nome: Adoniran Barbosa é um pseudônimo. Foi uma uma forma que João Rubinato, descendente de italianos, utilizou para homenagear um companheiro de gole - Adoniran Alves - e um cantor e compositor, introdutor dos "breques" nos sambas - Luis Barbosa. Adoniran nasceu em 6 de agosto de 1910, em Valinhos, e morreu em São Paulo, em 23 de novembro de 1982.
Foi ator de rádio e cinema, fez comercias para TV, jingles, compôs cerca de 300 músicas, e se tornou uma das figuras emblemáticas do samba paulista.
Os Instantâneos do Samba prestam uma homenagem ao grande gênio, que era sobretudo um palhaço, um homem que queria fazer rir com suas histórias, seu jeito e seus sambas.
No próximo tópico, falaremos sobre uma das mais famosas composições de Adoniran: o "Samba do Arnesto".
Este é um trecho do programa "Ensaio", da TV Cultura, em 1973.

7 comentários:
putz, eu sempre achei as músicas do Adoniran muito tristes, e vai ver que é por isso que gosto muito de seus sambas: "pode apagar o fogo Mané que eu não volto mais."
você tem razão. muitas são tristes, mas é uma tristeza recheada de ironia. na verdade, o adonis mesclava o humor, a ironia e a tristeza. saudosa maloca é a expressão da tristeza: o cara perde a casa, não tem nada engraçado nisso. mas "um samba no bixiga" é uma risada só. as pizzas do nicola voando.
A day in the life...
Não como mariscos.
amanda: eu gosto mesmo de uma ostrinha...
beijos
Era moda no curso ensinar história com base em Adoniran.
oi André,
conheci o Adoniran, nunca conversamos nem fomos apresentados mas por acaso pegávamos um ônibus especial no mesmo horário e descíamos no mesmo ponto, rs e tambem eu trabalhava no prédio onde ficava o empresário dele. Então nos vimos muitas vezes e ele era bem sério em nada parecia aquele brincalhão da TV. Ele me lembrava tio Vicente e eu ficava olhando, acho que ele não gostava, rs..rs.. na época eu era muito jovem e irreverente.
Sempre fui fã dele, parabéns a vc e essa iniciativa de mostrar as novas gerações as preciosidades que temos. Tenho o CD dele Documento Inédito se te interessar posso te enviar pela Internet. abração!
leniiiii.... só agora vi teu comentário no blog!mil perdões!
que maravilha esta história, hein?
escuta, vamos comer uma pizza no bixiga, uma hora dessas? eu sempre vou na pizzaria conchetta.
beijão
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