sexta-feira, 2 de maio de 2008

FINALMENTE, A HISTÓRIA DO "ARNESTO"

Demorei, mas cumpri a palavra. Peço desculpas aos amigos dos Instantâneos do Samba, mas muitas coisas estão acontecendo em minha vida, e eu realmente fiquei sem inspiração, primeiro, e sem tempo, depois, para postar este texto. Ah, desculpas, desculpas. Minha amiga Fergath pegou no meu pé, meu primo Rodrigo também (Você tem que escrever, André!) e aqui vou eu. Um presente aos amigos dos Instantâneos e uma homenagem ao velho e querido Adoniran Barbosa.
A história do Samba do Arnesto.
É sabido que Adoniran gostava de inventar histórias. Muita gente pensava que ele falava de si mesmo em músicas como Malvina, ou Triste Margarida (também conhecida como Samba do Metrô). Mas o fato é que Adoniran era mais um cronista, que andava atento às coisas e aos fatos que aconteciam em sua volta, e a partir das inúmeras situações que observava, invariavelmente, criava um samba.
A história do samba do Arnesto (como ele mesmo dizia, é "Arnesto", com A) nasce de uma parceria com seu amigo Nicola Caporrino, que era técnico de som na gravadora Continental. Em depoimento ao programa MPB Especial, da TV cultura, o próprio Adoniran disse:

O Arnesto existiu... Mora no Brás, o malandro. É irmão do Nicola Caporrino. Ernesto Caporrino. Ele convidou a gente pro samba. Eu fui lá, com meus maloqueiros. Com fome... Disse que tinha comida... Não tinha nada, sabe? Cheguei lá... Você quer ver uma coisa? Marcaram meio-dia... Cheguei a uma. Tinha uma panela de arroz só com a casca do arroz embaixo. Eu raspei, porque eu cheguei com fome lá, raspei a panela. E o feijão, que não tinha mais nada, eu raspei o caldeirão de feijão... Porque eu tava com fome. Muita pinga no caminho, muita cana no caminho, ia chegar lá com fome, claro.

Segundo o pesquisador Celso de Campos Junior, autor da excelente biografia "Adoniran" (Editora Globo, 2004), a história toda tem a ver com o parceiro de adoniran, Nicola Caporrino. Mas é bem diferente daquilo que Adoniran contava. O fato é que, em meados da década de 1950, Adoniran costumava passar os feriados ou fins de semana com amigos no Guarujá. Nicola acompanhava Adoniran nestas viagens, mas de repente, viu-se em uma pendura financeira e resolveu não ir. Adoniran, numa tarde de sexta-feira, foi até a casa do amigo, acompanhado de seu cachorro Peteleco. Nicola pediu à mulher que dissesse a Adoniran que não estava em casa, e escondeu-se no quarto. Porém, o cachorrinho correu para o quarto do amigo fujão, que não teve outra alternativa a não ser desculpar-se e falar a verdade: não tinha dinheiro pra acompanhar.
Por fim, acabaram todos indo ao Guarujá e, depois de umas e outras, Adoniran sugeriu ao amigo que não mentisse, apenas "deixasse um recado na porta". Nicola devolveu: "Isso dá samba".
Adoniran concordou e resolveu fazer um samba em homenagem a outro amigo, para quem havia prometido uma música há muito tempo, que até então não havia feito.
O amigo era Ernesto Paulelli, que nunca fez samba nenhum em sua casa, mas que ficaria para a história como um furão. Paulelli era vendedor das indústrias químicas Recorde S.A., na Vila Mariana. Costumava perambular pelos bares do centro de São Paulo, e numa dessas peregrinações, encontrou com Adoniran, que pediu um cigarro. Ao responder que não fumava, Adoniran não deixou por menos:
- Então, me dá seu cartão.
Quando o sambista leu o cartão, viu o nome e disse:
- Arnesto?
- Não, é Ernesto. Com "E".
- Não,é Arnesto. E eu não vou te entregar o meu cartão porque eu não tenho. Mas vou fazer um samba pra você. Aduvida?
E aí, dez ou doze anos depois, Adoniran cumpriu a promessa e criou o "Samba do Arnesto", que se tornou um dos mais populares sambas de todos os tempos.
Eu também demorei, não dez anos, mas alguns meses. E finalmente, como Adoniran junto a seu amigo Ernesto (ou melhor, ARnesto), também cumpri com minha dívida.
Abraços e até a próxima!


do YouTube, Samba do Arnesto:

17 comentários:

Tropeçando disse...

o André é foda!!!!!!

Ronedor disse...

eu sou mesmo!
valeu, dico.

CELSO disse...

Fala aí, Andrezito!!!
Interessante a história do Arnesto!
Rapaz, juro que sempre pensei que fosse Ernesto!!
Valeu por esclarecer a dúvida!!
Grande abraço!!
Celso Kerski

André Luis Rosa e Silva disse...

obrigado pelo comentário, celso!
procure o livro que eu citei. a história do adoniran é incrível.
abraços

Fergath disse...

até que enfim!
;)

e que "a próxima" não demore...

André Luis Rosa e Silva disse...

obrigado, querida fergath.
prometo que não vai demorar tantos meses assim a próxima postagem.
beijão

Karla Danielle disse...

"Fergath pegou no meu pé, meu primo Rodrigo" então quer dizer que tem que pegar no tranco,rs...
bjkas pra vc. menino maluquinho que eu adoro! e vê se não empaca mais,rsrsrs...

Karla Danielle disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
André Luis Rosa e Silva disse...

ah, dani, obrigado...
pega no meu pé você também...
e vê se não desaparece!
beijos

giu disse...

tá lindo.
(Adoniran me lembra pizza... mas tudo bem)
bjo, bjo

André Luis Rosa e Silva disse...

obrigado, giu...
apareça sempre. vamos comer um calzone, já que você não gosta de pizza.
besos

Karla Danielle disse...

Meu amor,
estive por aqui e percebi que não haviam postagens novas...
Mas tive a surpresa do verde,rs...
Virou Palmerense?
kkkkkkkk

Ah querido, milkoisas não existe mais.
Só uma certa caixa onde guardo com muito carinho, fios torcidos dos meus pensamentos...

http://caixinhaderetros.blogspot.com/

A casa é sua mas lembre-se
não sou poetisa!
Assim... assim...
Vai um pouco de mim.

mil bjkas gostosas da tua Danny♥

MARCELO MENDEZ disse...

opa... O palmeirense que escreve bem te agrade a deferencia

abraço

André Luis Rosa e Silva disse...

dani! não virei palmeirense! o verde é uma cor que eu gosto, apenas. daqui uns dias eu mudo. mas como você pode ver, eu tenho uns amigos com o terrível defeito de serem palmeirenses... também, quem mandou não estudar...
hehehehe
bom, lindona, agradeço suas palavras, apareça. um dia quero ver como você está. beijão.

André Luis Rosa e Silva disse...

marcelo, é sempre um prazer divulgar o trabalho de quem tem o que dizer. abraços e apareça sempre!

Alan izaias disse...

Olha professor lendo esse texto comprendi a importância de Adoniran para o samba genuinamente brasileiro. Visite freqüentemente meu blog, abraço.

André Luis Rosa e Silva disse...

oi, alan. obrigado pela visita. blogs são coisas legais. ouça música brasileira. abraços.