segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Instantâneos do Samba não morreu!!!

Antes que complete um ano da última postagem, vou dizer a meus possíveis e improváveis leitores que eu não desisti deste blog, nem desisti de suas intenções iniciais, que eram servir de apoio para um pretenso programa de rádio que nunca saiu do papel.
Mas eu sou brasileiro e não desisto nunca, e vou fazer o programa de rádio nem que seja daqui a mil anos, e não vou desistir nem do samba, nem da música, nem da arte, nem do amor e nem dos meus blogs!
Tenho dito.
Em tempo: este post vai como uma homenagem à Mercedes Sosa, que morreu ontem na Argentina.
A canção não morrerá!

sábado, 11 de outubro de 2008

CARTOLA 100 ANOS

Hoje, Cartola completaria 100 anos, se estivesse vivo.
Os Instantâneos do Samba já homenagearam o compositor, com dois posts publicados há alguns meses, mas nunca é demais escrever a respeito e venerar a memória de um dos maiores gênios brasileiros de todos os tempos. Um Poeta nunca morre. A influência de Cartola na música brasileira é comparável à influência de Mozart na música européia. O compositor era dono de uma verve literária e de um estilo únicos, que renovaram e modernizaram a maneira de compor o samba, além de propor uma nova estética para as letras.
Cartola é sempre maravilhoso. Como um grande gênio, jamais será esquecido, e jamais morrerá.

A seguir, trechos da entrevista que Cartola deu, em 1974, 6 anos antes de morrer, ao programa Ensaio, da TV Cultura.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

PARAÍLIO & CABIDE DE MOLAMBO

Algumas fotos de Paraílio Cunha & Cabide de Molambo, em dois momentos distintos de 2006.
Sesc-Ponta Grossa, maio de 2006.
Arajan Cunha, Marcelo Teixeira, Paraílio Cunha, Nicolau Schmidt, Fabrício Cunha e André Rosa

Outra apresentação, em março de 2006
André, Marcelo, Paraílio e Fabrício. Ao fundo, o quadro do Pixinguinha.

AGORA, SOMOS HISTÓRIA!!!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

JOÃO PARAÍLIO CUNHA (1925-2008)

Alguns dizem que a morte é a suprema ironia do destino. Um belo dia, morremos. Então, nada mais faz sentido algum. Ainda que se acredite num estado posterior à morte, é inevitável pensar que a ausência será irreversível.
Na semana que passou, morreram duas pessoas importantes: minha tia Eny, irmã da minha mãe, faleceu na terça-feira. Hoje, quando saía da faculdade, fui informado da morte de João Paraílio Cunha.
Paraílio Cunha, homenageado no Sesc, em 2006

Seu Paraílio, como era conhecido, ou Mestre Paraílio, como eu preferia chamá-lo, foi uma das grandes figuras do samba e do choro em Ponta Grossa. Quando falo ou escrevo sobre o "samba em Ponta Grossa", a reação de muitas pessoas é às vezes de espanto, outras de deboche. Quase sempre é necessário contar que sim, Ponta Grossa tem tradição de samba e choro, que aqui apareceu de uma maneira peculiar - através dos operários da extinta Rede Ferroviária Federal S/A - e se desenvolveu principalmente nos bairros de Olarias e Oficinas, onde vivia um grande número de trabalhadores da Rede, que também mantinha forte ligação com agremiações como Olinda Esporte Clube e o centenário Clube 13 de Maio. O samba chegou em PG - como quase tudo, entre o final do século 19 e a primeira metade do século 20 - pelo trilho do trem.
João Paraílio Cunha nasceu em Jaguariaíva, em 1925. Era funcionário da Rede Ferroviária, mas a música e seu estilo de tocar o cavaquinho e o violão, o tornaram desde a mais tenra idade em um dos grandes músicos do seu tempo. Em 1960, ele veio a Ponta Grossa e aqui fez parte de vários conjuntos que animavam bailes nos clubes da cidade com sambas e boleros. Gravou um disco com o conjunto Choros Eternos, que era formado pela velha guarda da música princesina.
Tive o privilégio de conviver e tocar com esta figura maravilhosa, um verdadeiro Mestre da música e da arte de viver. Jamais poderei esquecer da noite em que o Cabide de Molambo apresentou um espetáculo, que reuniu um grande público no Sesc, e fizemos uma homenagem especial a ele e à sua história. Quando o convidamos para o palco, ele foi ovacionado pela platéia.
Aquele foi um dos dias mais mágicos e felizes da minha vida.
Sua perda é irreparável, especialmente nestes dias em que a grandeza de caráter é tão ausente da nossa bela vidinha social...
Em sua homenagem,este post e a lembrança de um ser humano alegre, solidário, um grande músico e um Grande Homem, que com seu exemplo de vida e de arte, jamais será esquecido.
Mestre Paraílio, vamos sentir saudades!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

DE VOLTA AO SAMBA

Depois de dois anos fora dos palcos, participei, junto com meus amigos Osmário, Marcelo, Angelo Passos, Nicolas, Luciano Miguel de duas apresentações, em Curitiba. Foram nos dias 7 e 14 de setembro, na Venda da rua José Sabóia Cortes, Centro Cívico. O espaço é bem bacana, fica próximo ao Museu Oscar Niemeyer e do Bosque do Papa. Foram duas apresentações mesclando nosso repertório dos tempos do Cabide de Molambo com algumas "velhas coisas novas". Fazia algum tempo que ensaiávamos Novos Baianos e músicas do Noel Rosa, e ontem, dia 14, foi a primeira vez que a gente executou "Tarzan, o filho do alfaiate", do Noel, e "Mistério do Planeta", do Moraes e Pepeu. Também estavam no repertório "Não faz, amor", "Cem-mil réis", "Filosofia", "Fita Amarela", todas do Noel Rosa e várias outras do repertório do samba clássico.
Sinceramente, foi legal sacudir a poeira do pandeiro, que andava meio esquecido, num canto lá de casa, e botar a voz pra fora, novamente. Se isso vai continuar ou não, ainda não sabemos. Mas acho que a mosca-azul me picou novamente.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Eu e minhas ausências

Olá, leitores dos Instantâneos.
Prometo para a próxima semana, no mais tardar, um tópico novinho em folha, sobre um disco da Clementina de Jesus.
Não percam os Instantâneos de vista.

domingo, 15 de junho de 2008

ADEUS A UM ÍCONE DO SAMBA

Morreu Jamelão, um dos últimos grandes intérpretes do samba

O samba também tem seus grandes ícones, seus nomes sagrados, sua casta superior, formada por nomes que o consagraram e fixaram, ao longo do século XX.
Jamelão, que morreu no último sábado, dia 14 de junho, era um dos últimos representantes da geração pioneira do samba.
Nascido José Bispo dos Santos, em 12 de maio de 1913, foi contemporâneo, entre outros, de Cartola (1908-1980), Noel Rosa (1910-1937), Wilson Batista de Oliveira (1913-1968), Moreira da Silva (1905-2000).
A consagração de seu nome está definitivamente vinculada à sua ligação com a Estação Primeira de Mangueira. Porém, antes de ser intérprete oficial da escola, Jamelão foi um dos grandes intérpretes do samba, a partir da década de 1940.

Lupicínio Rodrigues

A obra de Lupicínio Rodrigues (1914-1974) foi recriada pelo cantor. Um estilo próprio, inimitável, de interpretação. A voz grave e incorruptível, somada ao seu caráter introspectivo, traziam às canções de amor e vingança do compositor gaúcho uma aura de aguda melancolia, com um sutil toque de ironia.

Jamelão foi o grande intérprete de Lupicínio

Enfim, há anos ele andava doente, e assim mesmo, conseguiu cantar até o carnaval de 2006, com o samba-enredo "Das águas do Velho Chico nasce um rio de esperança".
Foi seu último carnaval.
É uma perda irreparável, sem dúvidas. Parafraseando Raulzito: os homens morrem. O que ficam são suas músicas. As músicas de Jamelão serão sempre lembradas.


um vídeo sobre os 90 anos do mestre

sexta-feira, 2 de maio de 2008

FINALMENTE, A HISTÓRIA DO "ARNESTO"

Demorei, mas cumpri a palavra. Peço desculpas aos amigos dos Instantâneos do Samba, mas muitas coisas estão acontecendo em minha vida, e eu realmente fiquei sem inspiração, primeiro, e sem tempo, depois, para postar este texto. Ah, desculpas, desculpas. Minha amiga Fergath pegou no meu pé, meu primo Rodrigo também (Você tem que escrever, André!) e aqui vou eu. Um presente aos amigos dos Instantâneos e uma homenagem ao velho e querido Adoniran Barbosa.
A história do Samba do Arnesto.
É sabido que Adoniran gostava de inventar histórias. Muita gente pensava que ele falava de si mesmo em músicas como Malvina, ou Triste Margarida (também conhecida como Samba do Metrô). Mas o fato é que Adoniran era mais um cronista, que andava atento às coisas e aos fatos que aconteciam em sua volta, e a partir das inúmeras situações que observava, invariavelmente, criava um samba.
A história do samba do Arnesto (como ele mesmo dizia, é "Arnesto", com A) nasce de uma parceria com seu amigo Nicola Caporrino, que era técnico de som na gravadora Continental. Em depoimento ao programa MPB Especial, da TV cultura, o próprio Adoniran disse:

O Arnesto existiu... Mora no Brás, o malandro. É irmão do Nicola Caporrino. Ernesto Caporrino. Ele convidou a gente pro samba. Eu fui lá, com meus maloqueiros. Com fome... Disse que tinha comida... Não tinha nada, sabe? Cheguei lá... Você quer ver uma coisa? Marcaram meio-dia... Cheguei a uma. Tinha uma panela de arroz só com a casca do arroz embaixo. Eu raspei, porque eu cheguei com fome lá, raspei a panela. E o feijão, que não tinha mais nada, eu raspei o caldeirão de feijão... Porque eu tava com fome. Muita pinga no caminho, muita cana no caminho, ia chegar lá com fome, claro.

Segundo o pesquisador Celso de Campos Junior, autor da excelente biografia "Adoniran" (Editora Globo, 2004), a história toda tem a ver com o parceiro de adoniran, Nicola Caporrino. Mas é bem diferente daquilo que Adoniran contava. O fato é que, em meados da década de 1950, Adoniran costumava passar os feriados ou fins de semana com amigos no Guarujá. Nicola acompanhava Adoniran nestas viagens, mas de repente, viu-se em uma pendura financeira e resolveu não ir. Adoniran, numa tarde de sexta-feira, foi até a casa do amigo, acompanhado de seu cachorro Peteleco. Nicola pediu à mulher que dissesse a Adoniran que não estava em casa, e escondeu-se no quarto. Porém, o cachorrinho correu para o quarto do amigo fujão, que não teve outra alternativa a não ser desculpar-se e falar a verdade: não tinha dinheiro pra acompanhar.
Por fim, acabaram todos indo ao Guarujá e, depois de umas e outras, Adoniran sugeriu ao amigo que não mentisse, apenas "deixasse um recado na porta". Nicola devolveu: "Isso dá samba".
Adoniran concordou e resolveu fazer um samba em homenagem a outro amigo, para quem havia prometido uma música há muito tempo, que até então não havia feito.
O amigo era Ernesto Paulelli, que nunca fez samba nenhum em sua casa, mas que ficaria para a história como um furão. Paulelli era vendedor das indústrias químicas Recorde S.A., na Vila Mariana. Costumava perambular pelos bares do centro de São Paulo, e numa dessas peregrinações, encontrou com Adoniran, que pediu um cigarro. Ao responder que não fumava, Adoniran não deixou por menos:
- Então, me dá seu cartão.
Quando o sambista leu o cartão, viu o nome e disse:
- Arnesto?
- Não, é Ernesto. Com "E".
- Não,é Arnesto. E eu não vou te entregar o meu cartão porque eu não tenho. Mas vou fazer um samba pra você. Aduvida?
E aí, dez ou doze anos depois, Adoniran cumpriu a promessa e criou o "Samba do Arnesto", que se tornou um dos mais populares sambas de todos os tempos.
Eu também demorei, não dez anos, mas alguns meses. E finalmente, como Adoniran junto a seu amigo Ernesto (ou melhor, ARnesto), também cumpri com minha dívida.
Abraços e até a próxima!


do YouTube, Samba do Arnesto:

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

AMIGOS DOS INSTANTÂNEOS DO SAMBA

O propósito deste blog é colocar o samba em evidência, tendo como ponto de partida suas histórias, seus grandes intérpretes e compositores, suas peculiaridades.
Trata-se de uma página simples, sem grandes pretensões. Divulgar, comentar e debater sobre este ritmo que é uma das grandes expressões musicais do mundo, de modo que possa aguçar a curiosidade dos que acessam este blog, e quem sabe com isso contribuir para o samba e seus autores ser ouvido e tocado.
Vocês podem notar que em alguns tópicos estão publicados vídeos, retirados do site youtube. Dêem uma olhada no vídeo de Nelson Cavaquinho cantando com Guilherme de Brito. Ou no vídeo do Cartola, acompanhado de seu parcerio Dino Sete Cordas e do grande clarinetista Abel Ferreira.
Espero que estes textos possam fazer com que mais pessoas se interessem e passem a ouvir o samba.
Abraços a todos
André

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

ADONIRAN BARBOSA: SAMBA COM GOSTO DE CHOPE E PIZZA


Um corintiano, maloqueiro e sofredor que criou sambas populares

Adoniran Barbosa dispensa apresentações. Compositor, ator, humorista, criador de tipos, radialista, é um dos mais populares artistas do samba, em todos os tempos. Suas músicas são verdadeiros hinos do samba, e desde sempre fazem parte do repertório popular. Onde tocam, são sucesso. Em qualquer lugar em que haja um grupo de samba, sempre alguém vai pedir para ouvir - e cantar - "Tiro ao Álvaro", "Saudosa Maloca", "Trem das Onze", "As mariposas", "Iracema", "Prova de Carinho", "Joga a chave", e tantas outras.
Músicas que, apesar de haverem sido compostas entre os anos 1930 e 1970, são atualíssimos retrados dos marginalizados, dos favelados, da São Paulo romântica, que ainda se preserva escondida em botequins no Brás ou no Bixiga.
Adoniran era um homem bem humorado, bem vestido, alegre, bonachão, que encarnava o perfeito malandro, e sabia representar em sua própria postura o melhor dos tipos que retratava em suas crônicas musicais.
O bom humor começava pelo próprio nome: Adoniran Barbosa é um pseudônimo. Foi uma uma forma que João Rubinato, descendente de italianos, utilizou para homenagear um companheiro de gole - Adoniran Alves - e um cantor e compositor, introdutor dos "breques" nos sambas - Luis Barbosa. Adoniran nasceu em 6 de agosto de 1910, em Valinhos, e morreu em São Paulo, em 23 de novembro de 1982.
Foi ator de rádio e cinema, fez comercias para TV, jingles, compôs cerca de 300 músicas, e se tornou uma das figuras emblemáticas do samba paulista.
Os Instantâneos do Samba prestam uma homenagem ao grande gênio, que era sobretudo um palhaço, um homem que queria fazer rir com suas histórias, seu jeito e seus sambas.
No próximo tópico, falaremos sobre uma das mais famosas composições de Adoniran: o "Samba do Arnesto".


Este é um trecho do programa "Ensaio", da TV Cultura, em 1973.